Glosa em faturamento de saúde: as causas mais comuns e como evitá-las
Por que a conta é rejeitada no SUS e no plano, o que conferir antes de enviar e como montar um recurso de glosa que tem chance.
Glosa é a recusa, total ou parcial, do pagamento de uma conta. No SUS, a produção é rejeitada na crítica do sistema; na saúde suplementar, a operadora glosa itens da guia. Nos dois casos, a maior parte das perdas vem de erros previsíveis — e conferíveis antes do envio.
No SUS: as seis causas que mais rejeitam
- CID incompatível com o procedimento. A tabela SIGTAP lista quais diagnósticos autorizam cada procedimento. Informar um CID fora da lista derruba a conta. Confira na ficha do procedimento — todas neste site trazem os CID aceitos.
- CBO não autorizado. A ocupação do profissional que executou precisa estar entre as permitidas para aquele código.
- Falta de habilitação no CNES. Procedimentos de média e alta complexidade costumam exigir habilitação específica do estabelecimento.
- Instrumento de registro errado. Registrar em BPA o que deveria ir em APAC, por exemplo.
- Quantidade acima do limite da competência, ou incompatibilidade entre procedimentos lançados na mesma conta.
- Competência errada. Usar a tabela de outro mês, quando valores ou regras mudaram.
Na saúde suplementar: o que a operadora costuma glosar
- Falta de autorização prévia para procedimento que exigia;
- Código TUSS incorreto ou incompatível com a guia utilizada;
- Divergência entre o autorizado e o executado (quantidade, via de acesso, porte);
- Documentação insuficiente: relatório, descrição cirúrgica, justificativa de OPME;
- Carência, cobertura parcial temporária ou procedimento fora do Rol para a segmentação contratada;
- Prazo de envio excedido conforme contrato.
Checklist antes de enviar
- O procedimento existe na competência que estou faturando?
- O CID informado está na lista de diagnósticos aceitos?
- O CBO do executante está autorizado?
- O estabelecimento tem a habilitação e o serviço exigidos no CNES?
- O instrumento de registro é o previsto para o procedimento?
- Sexo e faixa etária do paciente batem com as restrições da tabela?
- A quantidade respeita o limite da competência?
- No plano: há autorização, e o que foi executado é o que foi autorizado?
Recurso de glosa que funciona
Um recurso genérico (“solicitamos revisão”) tem pouca chance. O que costuma reverter:
- Citar a regra: o item da tabela, a portaria ou a cláusula contratual que sustenta a cobrança;
- Anexar a evidência clínica: descrição do procedimento, relatório, exames que justificam a conduta;
- Endereçar exatamente o motivo da glosa, e não o item inteiro;
- Respeitar o prazo de recurso e o formato — na saúde suplementar, a guia de recurso de glosa do padrão TISS.
Onde este site ajuda
Cada ficha de procedimento do SUS traz, num lugar só, os itens que a crítica do sistema verifica: CID aceitos, CBO autorizado, habilitação exigida, instrumento de registro, restrições de sexo e idade, quantidade máxima e o valor da competência. É a mesma informação que está nos arquivos do DATASUS — só que legível, e com os vínculos já resolvidos.