CID BrasilCID-10, procedimentos do SUS e TUSS

Como ler um código CID caractere a caractere

Atualizado em 23/08/2026 · Equipe CID Brasil

A anatomia do código: letra do capítulo, categoria, subcategoria, o dígito 9, a adaga, o asterisco e o que cada parte informa.

Um código CID parece arbitrário até você entender que cada posição carrega informação. Depois disso, dá para saber muita coisa sobre um caso só de olhar o código. Vamos destrinchar J18.9.

A letra: o capítulo

A primeira posição é sempre uma letra, e ela indica em que região da classificação você está. O J abre o capítulo X — doenças do aparelho respiratório. Alguns capítulos usam mais de uma letra (o capítulo I vai de A00 a B99), e a letra U é reservada para usos especiais e códigos provisórios — foi assim que a covid-19 entrou como U07 e U09.

Os dois números: a categoria

Letra + dois dígitos formam a categoria, o nível de três caracteres. J18 é “pneumonia por microrganismo não especificado”. A categoria é a unidade mínima obrigatória: nenhum registro válido tem menos que isso.

O dígito após o ponto: a subcategoria

O quarto caractere detalha o caso. Em J18.9, o 9 significa “não especificada”. Em J18.0, o 0 é broncopneumonia não especificada. Quando a categoria tem subdivisão — e a maioria tem —, o esperado nos sistemas de saúde é informar os quatro caracteres.

Por que tanta coisa termina em 9

Nas subcategorias, alguns dígitos têm significado quase universal:

Terminar em 9 não é erro nem preguiça. Uma gripe sem PCR realmente é J11 (influenza, vírus não identificado). O problema aparece quando o serviço tem a informação e mesmo assim usa o genérico — isso empobrece a estatística e, no faturamento, às vezes derruba a conta, porque muitos procedimentos do SUS exigem diagnóstico específico.

A adaga (†) e o asterisco (*)

Algumas doenças têm duas faces: a causa e a manifestação num órgão. A CID-10 trata isso com o sistema adaga-asterisco:

Um exemplo clássico: tuberculose (etiologia) que se manifesta como meningite. O registro completo usa os dois códigos. Nas fichas deste site, os códigos marcados com † ou * aparecem com o símbolo ao lado do código, e a seção “códigos relacionados” mostra o par correspondente.

Restrições que o código carrega

Além da descrição, alguns códigos vêm com regras:

Cada ficha de código neste site mostra essas restrições explicitamente, porque elas costumam ser a causa de rejeição em sistema de informação.

Com ponto ou sem ponto?

São a mesma coisa. J18.9 é a grafia clínica; J189 é como as tabelas do DATASUS, os arquivos de faturamento e o SIGTAP gravam. Neste site você pode buscar de qualquer um dos dois jeitos — e a ficha mostra as duas formas.

Um erro comum: confundir CID com procedimento

O CID diz qual é o problema. O que foi feito para tratá-lo é outra tabela: no SUS, o SIGTAP; nos planos, a TUSS. Um pedido de exame não tem CID “de exame” — tem o CID da hipótese diagnóstica e o código do procedimento.

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