Valores da tabela SUS: o que é SH, SA e SP e por que o hospital recebe outro número
A composição do valor federal, o papel dos incrementos por habilitação, a complementação estadual e municipal e o que isso significa no caixa.
Quem consulta a tabela do SUS pela primeira vez costuma tropeçar na mesma pergunta: “o valor que está aqui é o que o hospital recebe?”. A resposta é não — e entender por quê evita conclusões erradas em negociação, em orçamento e em discussão pública sobre subfinanciamento.
Três valores, não um
Cada procedimento tem o valor dividido em três parcelas, porque elas remuneram coisas diferentes e vão para bolsos diferentes:
- SH — Serviço Hospitalar: a estrutura da internação (diária, sala, materiais, medicamentos de rotina). Vai para o estabelecimento.
- SA — Serviço Ambulatorial: equivalente ao SH no ambiente ambulatorial.
- SP — Serviço Profissional: o trabalho da equipe. Em muitos arranjos, é a parcela que remunera o profissional que executou.
O valor total é a soma. Nas fichas deste site as três parcelas aparecem separadas justamente porque a soma isolada esconde a informação mais útil: um procedimento de R$ 500 com SP de R$ 30 é uma realidade muito diferente de outro com SP de R$ 300.
Incremento por habilitação
A tabela prevê acréscimos percentuais sobre SH, SA e SP quando o estabelecimento tem determinadas habilitações no CNES — hospital de ensino, unidade de alta complexidade em oncologia, entre outras. O mesmo código de procedimento pode ser pago com valores diferentes em dois hospitais por causa disso.
Complementação estadual e municipal
O valor da tabela federal é um piso de referência. Estados e municípios podem — e frequentemente precisam — complementar com recursos próprios, por tabela própria ou por contratualização. Em grandes capitais, a diferença entre o valor federal e o efetivamente pago ao prestador é significativa. Por isso não existe “o preço do SUS” como número único nacional.
Blocos de financiamento
De onde sai o dinheiro também muda a lógica. Os principais blocos que aparecem na tabela:
- PAB — atenção básica, repasse por população;
- MAC — média e alta complexidade, teto financeiro negociado;
- FAEC — fundo de ações estratégicas e compensações, para procedimentos com política própria (transplantes, algumas cirurgias eletivas);
- Assistência farmacêutica, vigilância em saúde e gestão do SUS.
Procedimentos do FAEC, por exemplo, costumam ser pagos fora do teto MAC — o que muda completamente o interesse do gestor em ofertá-los.
Por que os valores parecem congelados
Boa parte da tabela não é reajustada há muitos anos. Alguns procedimentos carregam valores definidos na década de 1990 e nunca corrigidos, o que explica a distância entre o valor da tabela e o custo real de execução. Reajustes acontecem por portaria e costumam ser pontuais, para linhas de cuidado específicas.
Como usar esses números com honestidade
Se você está montando um orçamento ou uma proposta de contratualização: parta do valor federal, some o incremento aplicável às suas habilitações, verifique a complementação do seu estado e município e só então compare com o custo. Se você está fazendo uma comparação pública entre SUS e saúde suplementar, lembre que os dois números medem coisas diferentes — a TUSS nem sequer traz preço: valores na saúde suplementar são contratuais.