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Valores da tabela SUS: o que é SH, SA e SP e por que o hospital recebe outro número

Atualizado em 23/08/2026 · Equipe CID Brasil

A composição do valor federal, o papel dos incrementos por habilitação, a complementação estadual e municipal e o que isso significa no caixa.

Quem consulta a tabela do SUS pela primeira vez costuma tropeçar na mesma pergunta: “o valor que está aqui é o que o hospital recebe?”. A resposta é não — e entender por quê evita conclusões erradas em negociação, em orçamento e em discussão pública sobre subfinanciamento.

Três valores, não um

Cada procedimento tem o valor dividido em três parcelas, porque elas remuneram coisas diferentes e vão para bolsos diferentes:

O valor total é a soma. Nas fichas deste site as três parcelas aparecem separadas justamente porque a soma isolada esconde a informação mais útil: um procedimento de R$ 500 com SP de R$ 30 é uma realidade muito diferente de outro com SP de R$ 300.

Incremento por habilitação

A tabela prevê acréscimos percentuais sobre SH, SA e SP quando o estabelecimento tem determinadas habilitações no CNES — hospital de ensino, unidade de alta complexidade em oncologia, entre outras. O mesmo código de procedimento pode ser pago com valores diferentes em dois hospitais por causa disso.

Complementação estadual e municipal

O valor da tabela federal é um piso de referência. Estados e municípios podem — e frequentemente precisam — complementar com recursos próprios, por tabela própria ou por contratualização. Em grandes capitais, a diferença entre o valor federal e o efetivamente pago ao prestador é significativa. Por isso não existe “o preço do SUS” como número único nacional.

Blocos de financiamento

De onde sai o dinheiro também muda a lógica. Os principais blocos que aparecem na tabela:

Procedimentos do FAEC, por exemplo, costumam ser pagos fora do teto MAC — o que muda completamente o interesse do gestor em ofertá-los.

Por que os valores parecem congelados

Boa parte da tabela não é reajustada há muitos anos. Alguns procedimentos carregam valores definidos na década de 1990 e nunca corrigidos, o que explica a distância entre o valor da tabela e o custo real de execução. Reajustes acontecem por portaria e costumam ser pontuais, para linhas de cuidado específicas.

Como usar esses números com honestidade

Se você está montando um orçamento ou uma proposta de contratualização: parta do valor federal, some o incremento aplicável às suas habilitações, verifique a complementação do seu estado e município e só então compare com o custo. Se você está fazendo uma comparação pública entre SUS e saúde suplementar, lembre que os dois números medem coisas diferentes — a TUSS nem sequer traz preço: valores na saúde suplementar são contratuais.

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