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TUSS, Rol da ANS e negativa de cobertura: como descobrir se o plano é obrigado a pagar

23/08/2026 · Equipe CID Brasil TUSSANSplano de saúdecobertura

Ilustração de uma guia de plano de saúde com o código TUSS em destaque

A diferença entre ter código TUSS e ter cobertura obrigatória, o papel do Rol e das diretrizes de utilização, o que mudou com a Lei 14.454/2022 e o passo a passo diante de uma negativa.

“O procedimento tem código TUSS, então o plano tem de cobrir.” Essa frase, repetida em consultórios e grupos de pacientes, está errada — e o mal-entendido custa tempo, dinheiro e, às vezes, tratamento. Ter código na TUSS significa apenas que o procedimento tem nome padronizado. Quem determina a cobertura obrigatória é outra lista.

Este artigo separa as peças: o que é a TUSS, o que é o Rol da ANS, o que mudou com a Lei 14.454/2022, o que a segmentação do seu contrato muda e o que fazer, na prática, quando vem uma negativa.

Diagrama: pedido do médico, código TUSS, Rol da ANS, segmentação e autorização
O caminho de uma solicitação até a cobertura

O que é a TUSS

A Terminologia Unificada da Saúde Suplementar é o conjunto de tabelas que padroniza a linguagem entre operadoras e prestadores dentro do Padrão TISS, o formato eletrônico obrigatório de troca de informação na saúde suplementar. Ela existe porque, antes, cada operadora tinha a própria tabela: o mesmo exame tinha código diferente em cada convênio, e a conciliação era artesanal.

As tabelas mais usadas são a 22 (procedimentos e eventos em saúde), a 19 (materiais e OPME), a 20 (medicamentos) e a 18 (diárias e taxas). A tabela 22 é a que aparece na sua guia de consulta ou de exame, e está publicada na íntegra em tabela TUSS.

O código tem oito dígitos e o primeiro indica o capítulo: 1 para consultas, 2 para procedimentos clínicos, 3 para cirúrgicos, 4 para diagnósticos e terapêuticos, 5 para procedimentos de profissionais não médicos e 8 para odontologia.

O que a TUSS não é

Ela não traz preço. Na saúde suplementar, o valor é contratual entre operadora e prestador — frequentemente referenciado à CBHPM, mas negociado caso a caso. Procurar “valor TUSS” não leva a lugar nenhum, e tabelas de preço que circulam com esse nome são particulares de alguma operadora ou entidade.

Ela também não define cobertura. Existe código para procedimentos que o plano não é obrigado a cobrir e existe cobertura obrigatória para itens que não se resumem a um código.

Quem define a cobertura: o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde

O Rol da ANS é a lista de cobertura obrigatória mínima dos planos regulamentados (contratados a partir de janeiro de 1999, ou adaptados à Lei 9.656/98). É atualizado periodicamente pela agência, com processo público de análise de incorporação de novas tecnologias.

Três filtros se aplicam junto com ele:

Segmentação do contrato

Um procedimento hospitalar não é coberto por plano exclusivamente ambulatorial, ainda que esteja no Rol.

Diretriz de Utilização (DUT)

Vários itens do Rol têm cobertura condicionada a critérios clínicos: idade, falha de tratamento anterior, resultado de exame, quadro específico. A DUT não é burocracia inventada pela operadora — está publicada no próprio Rol. Quando ela existe, a solicitação precisa demonstrar que o critério foi atendido.

Carência e cobertura parcial temporária

Prazos de carência valem a partir da assinatura; doenças e lesões preexistentes declaradas podem gerar cobertura parcial temporária por até 24 meses para procedimentos de alta complexidade relacionados a elas.

O que mudou com a Lei 14.454/2022

Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o Rol era, em regra, taxativo — ou seja, o que não estivesse nele não seria de cobertura obrigatória, salvo exceções. Meses depois, o Congresso aprovou a Lei 14.454/2022, que alterou a Lei dos Planos de Saúde para estabelecer o Rol como referência básica e prever cobertura de tratamentos fora dele quando:

Na prática, a lei reabriu a porta para cobertura de tratamentos fora do Rol mediante evidência — mas não transformou o Rol em irrelevante nem eliminou os demais filtros (segmentação, carência, prescrição por profissional habilitado).

Recebi uma negativa. O que fazer

1. Exija a negativa por escrito

A operadora deve informar o motivo em linguagem clara, por escrito, quando solicitado. Sem o motivo formal, não há como recorrer com precisão — e a recusa em fornecer já é, por si, irregularidade.

2. Identifique o tipo de negativa

3. Peça a segunda opinião (junta médica)

Quando a negativa é por divergência técnica sobre a indicação, cabe junta médica ou odontológica, com um terceiro profissional desempatador — mecanismo previsto na regulamentação da ANS.

4. Registre reclamação na ANS

A ANS mantia canal de intermediação preliminar de conflitos, que tem prazo curto e resolve boa parte dos casos sem judicialização. Guarde protocolos de todos os contatos com a operadora — número, data, hora e nome do atendente.

5. Prazos máximos de atendimento

A regulamentação fixa prazos por tipo de atendimento (consulta básica, especialista, exames simples e complexos, cirurgia eletiva). Estouro de prazo é descumprimento e também é reclamável.

O paralelo com o SUS ajuda a entender

No SUS, a lógica é diferente: existe uma tabela pública, o SIGTAP, que traz o valor federal de cada procedimento e as regras de compatibilidade — inclusive quais diagnósticos autorizam quais procedimentos. É um sistema fechado e auditável: dá para saber de antemão se a conta vai passar.

Na saúde suplementar, a informação está espalhada entre o Rol, o contrato, a rede credenciada e a negociação de preço. A TUSS resolve apenas a parte da nomenclatura. Por isso a comparação direta entre “valor SUS” e “valor plano” não faz sentido: são arranjos distintos, com fontes de financiamento distintas.

Há, porém, uma ponte oficial: a ANS publicou uma compatibilização entre TUSS e SIGTAP indicando quais códigos das duas tabelas descrevem a mesma coisa, e com que grau de equivalência. É útil para comparar linguagens e para entender o ressarcimento ao SUS — quando um beneficiário de plano é atendido na rede pública, a operadora ressarce o sistema. Nas fichas deste site, essa correspondência aparece nos dois sentidos: da TUSS para o SUS e do procedimento do SUS para a TUSS.

Para quem fatura: erros que geram glosa na guia

O guia como evitar glosa traz o checklist completo dos dois lados — público e suplementar.

Perguntas rápidas

O plano pode negar exame pedido por médico não credenciado?

A solicitação de profissional habilitado é válida; a execução é que precisa ocorrer na rede credenciada (ou por reembolso, quando o contrato prevê). Negar apenas porque o pedido veio de fora da rede não é prática regular.

Procedimento novo, ainda sem código TUSS, pode ser coberto?

Pode — a inclusão na terminologia é um processo administrativo e não determina a cobertura. O que importa é o Rol, a evidência e as regras da Lei 14.454/2022.

Onde vejo se o meu procedimento tem código TUSS?

Na busca deste site: os resultados com a etiqueta TUSS são termos vigentes da tabela 22, e cada ficha mostra o equivalente no SUS quando existe.

O plano cobre, mas o hospital cobrou uma taxa. É legal?

Cobrança de taxa de conveniência, “taxa de disponibilidade” ou pagamento antecipado para atendimento coberto costuma ser irregular. Peça a discriminação por escrito e registre o protocolo.

Resumo

Conteúdo informativo, sem natureza de orientação jurídica individual. Para casos concretos, consulte a operadora, a ANS ou um advogado.

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